Recife, Quarta-Feira, 4 de Março de 1998

Pedreiro morre após queda do 19º andar

Ailton Marques de Sales sofreu o acidente a mais de 60 metros

O pedreiro Ailton Marques de Sales, de 47 anos, morreu após cair do 19º andar do edifício Castelo Queluz, que está em fase de acabamento, e fica na Rua Desembargador João Paes, em Boa Viagem. O acidente, que aconteceu no final da tarde de ontem, foi causado por que um dos braços de sustentação do balanço (uma estrutura de madeira que fica suspensa por cordas pelo lado de fora do prédio) se soltou, fazendo com que o pedreiro caisse de uma altura de quase 60 metros. O edifício está sendo construido pela empresa JPM Construções.

Um dos sócios da JPM Construções, Ronaldo Barbalho, afirmou que Ailton era funcionário da empreiteira JJ de Almeida, que presta serviços a sua construtora. Ronaldo informou que sua empresa recorre regularmente aos serviços da JJ de Almeida, e não soube informar quantos funcionários da empreiteira tem trabalhando na obra. Mas o pedreiro, Cristiano José Anselmo, que estava trabalhando na obra na hora do acidente, informou que a maioria dos funcionários da obra é da JJ de Almeida.

O Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil fez uma vistoria no local pouco depois do acidente e, de acordo com Henrique Ramos, verificou que a barra de ferro de sustentação do balanço partiu. "Isto teria sido causado por excesso de peso" afirmou o policial Tadeu Carlos da Delegacia de Boa Viagem.

Na hora do acidente, Ailton estava usando o cinto de segurança. Mas não se sabe aonde o cinto estava amarrado. O mais provável é que o cinto estivesse preso ao braço que partiu. O também pedreiro, Josué Joaquim de Melo, estava trabalhando em outro balanço, posicionado dois andares abaixo daquele que partiu. Ele afirma ter visto quando Ailton tentou se segurar em uma das cordas que partiram na hora do acidente.

O sindicato informou que houve outro acidente com morte ontem à tarde. Henrique Ramos informou à equipe de reportagem do DIÁRIO que o pedreiro José Ferreira, de 44 anos, caiu do sexto andar de um prédio nas Graças. Este edifício estaria sendo feito pela Construtora Maranhão.

Naya promete abrir mão de imunidade

BRASÍLIA - O deputado federal Sérgio Naya (PPB-MG) divulgou nota oficial, ontem à noite, prometendo abrir mão de suas imunidades parlamentares. "Não tenho dúvidas em abrir mão destas imunidades, pois estou certo de que não contribuí de forma alguma para o sinistro, o que será comprovado no curso do processo criminal que vier a ser instalado", afirma o deputado. Ele negou que seja o responsável técnico pela construção do condomínio Palace 2.

Naya garante que depois do desabamento do prédio construído pela sua construtora Sersan teria tratado de "adotar medidas emergenciais para acomodar os desabrigados". O deputado procura se eximir de responsabilidade no episódio: "Devo esclarecer que, neste lamentável episódio, não participei como autor do projeto de cálculo e sequer sou o responsável técnico pela edificação pois, desde 1987, outro profissional exerce essa responsabilidade no Rio de Janeiro", garante, sem dizer o nome desse profissional.

Através da nota, Naya solicitou direito de defesa, "uma vez que,até então, não me fora dada essa oportunidade, diante da campanha insidiosa da Imprensa, que promoveu um verdadeiro linchamento de minha pessoa", concluiu.

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