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Dorival Elze Os figurantes de Cruzeiro do Nordeste se vestiram de romeiros, numa reconstituição de uma cena de Central do Brasil, filme que ganhou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, Alemanha |
Berlim via Cruzeiro do Nordeste
Figurantes de central do Brasil esperam ansiosos para ver o filme pela primeira vez
Michelle de Assumpção Enviada especial
SERTÂNIA - Fevereiro de 1997. A professora, enfermeira e assistente social Vânia Lúcia Freire varria a frente do único posto de saúde de Cruzeiro do Nordeste (distrito de Sertânia, a 320 Km do Recife) quando viu entrar um homem alto, de sotaque diferente, que dizia ser ali o lugar ideal. Ela não sabia que começavam os preparativos para as filmagens de Central do Brasil e que o homem era Walter Salles Jr. Na verdade, só tinha ido uma única vez ao cinema. Mas não demorou para entender tudo o que a produção queria: ela, uma das pessoas mais conhecidas entre os 620 habitantes da pobre comunidade, teria que achar e cadastrar os figurantes do longa. "Eles queriam pessoas de rostos marcantes. Saí de casa em casa e trouxe 250 moradores", relembra.

Um povo carismático
João Alberto
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