Recife, Quarta-Feira, 25 de Fevereiro de 1998

Viradouro levanta sambódromo

A escola de Joãosinho Trinta fez um desfile exuberante, entrando na briga pelo bicampeonato

RIO DE JANEIRO - Joãosinho Trinta, mais uma vez, foi a sensação do carnaval carioca: preparou um desfile exuberante mostrado pela Unidos do Viradouro e deixou a escola de Niterói muito perto do bicampeonato. "Não tenho dúvida de que o desfile deste ano foi muito mais forte e emocionante do que o do ano passado", disse Joãosinho, após a apresentação da Viradouro, que levantou o público aos gritos de Bicampeã.

A Unidos do Viradouro cantou na avenida enredo Orfeu, o negro do carnaval, que, além de contar a odisséia do mito grego, desenvolveu a história do carnaval carioca. Seus oito carros alegóricos e as fantasias resgataram o entrudo, o corso e as grandes sociedades. "Foi um desfile perfeito, exatamente como imaginei", comemorou Joãzinho, ovacionado pelo público. "Esse baixinho é endiabrado", gritou a atriz Dercy Gonçalves, destaque da escola, ao encontrar com Joãosinho. Dercy foi homenageada em enredo pela Viradouro em 1991.

No alto do carro-abre alas, o cantor e compositor Djavan representou o Orfeu negro. "Não podia deixar de aceitar esse convite do Joãosinho, que, ao me chamar, disse que me considerava o verdadeiro Orfeu do Brasil". Djavan estava emocionado ao final do desfile. "Foi muito lindo e sabia que ia me divertir". A Viradouro destacou-se pela beleza e perfeito acabamento das fantasias e alegorias, além da animação dos quatro mil componentes da escola, que cantaram, com força, o samba-enredo até o final da dispersão.

Um incidente poderá atrapalhar a festa da Viradouro. A porta-bandeira Patrícia, que está grávida, deixou cair o chapéu da fantasia. "Espero que isso não nos prejudique", disse Joãosinho, após ter sido informado do fato por jornalistas. O carnavalesco também ficou preocupado com o tempo da escola na avenida. A Viradouro usou todos os oitenta minutos regulamentares para desfilar, porque os carros alegóricos estavam muito lentos.

O mestre Jorjão, da bateria, prometeu e cumpriu. Mais uma vez inovou na bateria da Viradouro, misturando batidas de samba, funk e baião. "Fui discípulo do Mestre André, da Mocidade, e sei que é preciso sempre inovar, mesmo correndo riscos". A atriz Zezé Motta, pela primeira vez, desfilou na ala das baianas. "Fiquei muito nervosa, porque a responsabilidade é enorme em se tratando dessa ala, uma das mais tradicionais da escola de samba". O cantor Tony Garrido, líder do grupo Cidade Negra e outra encarnação do Orfeu do carnaval, também ficou satisfeito com o desfile da Viradouro. "Acho, sinceramente, que a escola vai ser campeã, principalmente quando senti a receptividade do público".

Joãosinho aproveitou o que considerou um desfile perfeito da Viradouro para criticar a rival Mocidade Independente de Padre Miguel, que desfilou na madrugada de segunda-feira. "Aquela escola andou, não evoluiu". Joãosinho brincou e disse que seu coração fora multiplicado por mil. Na escola, saíram o atual prefeito de Niterói, Jorge Roberto da Silveira (PDT), o ex-prefeito João Sampaio e o prefeito de São Gonçalo, Ezequiel Neves. Joãosinho Trinta ofuscou a todos. "Acho que o públicotorce por mim", disse o carnavalesco.


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