(Atualizado no dia 19/2/1998)

Sem cuidado, recarga da bateria pode causar danos

Nem sempre a chupeta - aquela velha mania de recarregar a bateria arreada por meio de outra - é o procedimento mais indicado para resolver uma pane elétrica no carro, principalmente em tempos de festa.

O aviso é do mecânico Fábio Fonseca, que alerta para os riscos deste tipo de operação. "Em carros com injeção eletrônica, por exemplo, a chupeta não é recomendada porque o menor descuido pode causar a queima do módulo de injeção e dos sensores atuadores, que regulam a quantidade da mistura de combustível e a marcha lenta", afirma.

Segundo alerta o mecânico, o mais prudente é chamar um socorro especializado no assunto e, somente em último caso, é preferível pensar na opção do carro ser guinchado. "Existem alguns riscos e os motoristas precisam estar conscientizados", conta ele. Um dos perigos para qual Fábio Fonsêca chama a atenção para a sobrecarga da bateria. "Para a chupeta ser segura, o motorista deve estar atento à necessidade ideal de carga a ser utilizada na bateria pifada", salienta.

Isso, no entanto, não é tão simples. Segundo avaliação dele, é um requisito praticamente impossível para quem faz a operação na rua. "Uma carga acima do necessário pode danificar alguns componentes do automóvel, como é o caso do alternador e do chicote. Sem falar em toda a fiação, o que, só para consertar, não sai por menos de R$ 4,5 mil".

Fonseca diz que foram tantos os problemas deste tipo com seus clientes que agora desaconselha totalmente a recarga feita de um veículo para outro, ou mesmo por meio de recarregadores automáticos.

Já o mecânico Yutaka Fukuda é mais maleável. Ele admite a chupeta para casos de emergência, embora lembre que existem algumas ressalvas que devem ser levadas em consideração. "O motorista deve ter atenção redobrada para ligar positivo com positivo e negativo com negativo. Quando isso não acontece os danos certamente acontecem".

Outro conselho do especialista é ler o manual do proprietário antes de realizar qualquer tipo de operação com o automóvel, inclusive para a chupeta. A leitura pode evitar confusões e a energização nos locais impróprios. "Um exemplo está em alguns importados, nos quais a bateria fica no porta-malas, mas o local da recarga é no compartimento do motor".

Embora salvadora em alguns casos, a chupeta deve ser feita somente por aqueles que tenham o mínimo de conhecimento sobre as partes mecânica e elétrica dos veículos. "Nem mesmo assim o proprietário do carro estará livre de ter alguma peça danificada", assegura o mecânico Fábio Fonseca.

Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER