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| Recife, Sábado, 21 de Fevereiro de 1998 |
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Azulão prepara o terreno para Galo da Madrugada O bloco arrastou uma multidão pelo centro do Recife ontem à noite Foi um bom aquecimento para o Galo da Madrugada. Com o tema Livre para Voar, o Bloco Azulão invadiu ontem à noite as ruas do centro do Recife, arrastando uma multidão de foliões desde a concentração, no Cais do Apolo, até a sede, na rua da Concórdia. Durante todo o percurso, os nove trios elétricos e três orquestras de frevo não deixaram ninguém parado, dando preferência às músicas típicas de Pernambuco. Até o inevitável atraso não atrapalhou tanto: o cortejo saiu às 20h20, apenas vinte minutos além da hora marcada. Uma ensurdecedora queima de fogos, partindo do Edifício-sede do Bandepe, anunciou o início da folia. O bloco seguiu pela avenida Rio Branco, Marco Zero, Marquês de Olinda, ponte Maurício de Nassau, Primeiro de Março, avenida Guararapes e rua da Concórdia. Este foi o décimo-quarto ano do desfile, que começou como uma brincadeira dos funcionários do Bandepe e foi, com o tempo, se transformando numa das principais atrações do Carnaval no centro. Os diretores e foliões garantiam que ainda teriam fôlego para esperar o Galo sem ir para casa. A estudante Mônica Cristina Fraga, 17 anos, era uma das que preferiram esquecer por um dia a festa na avenida Boa Viagem e prestigiar o Azulão. "Já é o segundo ano que eu venho. Não perco essa festa por nada", disse, enquanto dançava ao som do frevo. Perto dali, já entrando na Rio Branco, o aposentado José Ferreira Góes, 63 anos, mostrava que o importante não é a idade do folião, e sim o gosto pelo Carnaval. "Desde criança que eu brinco. Não é agora que eu ia ficar em casa". NO CHÃO Este ano, o Azulão optou por reviver os carnavais antigos, dando ênfase para a folia no chão, com alas fechadas e abertas. O próprio tema, Livre para Voar, já deu uma idéia do espírito do bloco. Como não houve nenhuma imposição em relação ao desfile, os foliões puderam usar toda sua criatividade para desfilar nas ruas. Não faltaram passistas de frevo, caboclinhos e bonecos gigantes. Ao contrário da avenida Boa Viagem, não houve cordões de isolamento, mas quem quis fugir do aperto teve a opção de pagar e subir no trio-camarote. A animação foi garantida pela Turma do Pingüim (não confundir com a mais famosa Almir Rouche e Banda Pingüim), Eletrobanda, Trepidant€s, Banda Labareda, Banda Estigma, Banda Gang, Versão Brasileira (na Estação da Folia), além das orquestras Primavera, Tradicional e Mendes. O desfile de luxo contava com carnavalescos como Djair Moreira e Antenor Miguel. Do alto dos prédios, os moradores nas janelas promoviam uma abundante chuva de papel picado, que dava um tom mais bonito ao desfile. Gratificação especial dos militares corre o risco de ser suspensa BRASÍLIA - Mal começou a ser paga, a primeira parcela do aumento na Gratificação de Condição Especial de Trabalho (GCET) dos militares, que já está no contracheque da categoria, pode ser suspensa. Se o Congresso não votar e aprovar até o dia 2 de abril o projeto de lei do Executivo que reajusta em duas parcelas a GCET, os militares só voltarão a receber o aumento no ano que vem - isso se o projeto for aprovado pelos parlamentares da próxima legislatura. O Governo decidiu adiantar o aumento salarial dos militares apenas até o mês de março, iniciando uma contagem regressiva para o Congresso Nacional votar o projeto. De qualquer forma, de acordo com portaria publicada ontem no Diário Oficial da União - o terceiro ato sobre o aumento em três dias - os militares já têm assegurado o aumento nos salários de fevereiro (a ser pago na Quarta Feira de Cinzas) e março. Se o projeto for rejeitado, todos os valores recebidos por conta do adiantamento terão que ser devolvidos aos cofres da União. O prazo limite foiestabelecido porque, entre os dias 2 de abril e 3 de outubro, a Lei Eleitoral proíbe qualquer alteração na vida funcional do servidor público. A rigor, eles não poderiam receber nada até que o projeto fosse votado, mas uma precipitação dos ministérios militares fez com que o reajuste já constasse nos contracheques de fevereiro. A portaria interministerial publicada ontem, e que leva a assinatura dos ministros da Fazenda, Pedro Malan, e do Estado Maior das Forças Armadas (EMFA), general Benedito Leonel, procura resolver a confusão jurídica em que o Governo se meteu. Antes mesmo de ser votado pelo Congresso, o projeto de lei que aumenta o GCET virou realidade nos contracheques dos militares. A portaria interministerial também estabelece os percentuais para a antecipação do aumento, cujo teto ficou em 8% do valor da folha de pagamento de fevereiro, e 20% na folha de março, cujo pagamento é feito no segundo dia útil do mês. Segundo informações do EMFA, esses percentuais se adequam exatamente ao cálculo do montante de dinheiro que terá que ser utilizado para pagar o reajuste em 1998: 77% do GCET. Os reajustes na gratificação vão aumentar em R$ 57,6 milhões a folha de pagamento dos militares. A confusão em torno do aumento salarial da caserna começou há cinco dias, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso enviou ao Congresso Nacional um projeto de lei que prevê um reajuste gradual do GCET até o ano que vem. |
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