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| Recife, Sábado, 21 de Fevereiro de 1998 |
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O local da festa OPINIÃO Grandes festas no Recife ainda são sinônimos de transtorno. Parece que tem sempre alguém pagando pela diversão do outro. Seja o engarrafamento de Boa Viagem, provocado pelo Recifolia ou pela semana pré-carnavalesca. Seja pela experiência tumultuada do belo show de Lenine no centro da cidade. Seja por Olinda que fica, literalmente, sitiada no período do carnaval. Todas as festas são excelentes para a sociedade, a cultura e a economia. Mas, o morador termina pagando caro pela vizinhança festiva. A ausência de um espaço específico, no Recife, para eventos culturais e artísticos de grandes proporções representa uma enorme lacuna para a cidade. Qualquer município que se pretenda pólo irradiador de cultura e artes deve, a exemplo de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, dispor de estruturas que permitam o encontro de milhares de pessoas sem que outras tantas sejam prejudicadas. Estas cidades, além de preservar o cotidiano dos seus cidadãos, atraem milhares de turistas de todo o País. Elas recebem caravanas de todo o Brasil à procura dos incontáveis artistas ou bandas estrangeiras que se apresentam exclusivamente no Rio ou em São Paulo. Os fãs sabem o quanto é remota a possibilidade destes espetáculos descerem para o Nordeste, por exemplo. Para eles, não resta outra alternativa senão embarcar e acampar no Rio ou em São Paulo. Em matéria de infra-estrutura para grandes espetáculos, o Rio de Janeiro é exemplar. O sambódromo, o Maracanã e o autódromo, na Barra da Tijuca, permitem o encontro de setenta a cem mil pessoas sem que, por isso, a cidade ou parte dela seja paralisada ou prejudicada. Daí o Rock in Rio, o Hollywood Rock ou os apoteóticos shows do U2 ou Rolling Stones, por exemplo. São Paulo oferece o estádio do Morumbi. Brasília, o parque da cidade. O fato é que já passou da hora de parte da cidade ser sacrificada na hora da festa. Se é verdade que o poder público tem o turismo como prioridade e a cultura como vocação, já chegou o tempo de conjugar infra-estrutura a estes dois elementos. Especialmente no Recife, onde as festas da cidade costumam durar mais que um ou outro dia. O que realmente não dá para compreender é a fatídica dicotomia entre prazer/entretenimento versus contrariedades/tumultos. Este paradoxo representa a fragilidade de uma ação que parece ser desacompanhada de planejamento e absolutamente órfã de soluções a longo prazo. É muito importante que a cidade preserve e amplie seu potencial artístico e cultural. Mas, também é fundamental que o poder público incorpore noções básicas de planejamento urbano. Menores rebelados Não se pode ficar indiferente ao que se passa no sistema presidiário do país e de Pernambuco em particular. Embora haja outros aspectos a considerar, o problema da superlotação das cadeias terá sido o fator principal das rebeliões que se anotam a respeito. Não estamos a mencionar apenas os presídios que alojam criminosos de carteirinha assinada. A falta de acomodações adequadas em tamanho e em quantidade também afeta de forma dramática o recolhimento de menores infratores, de que é exemplo recente a rebelião no Centro de Ressocialização de Adolescentes (CERAD), localizado em Paratibe, Município de Paulista. A situação parece tão crítica que o próprio Presidente do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente, Silvino Nascimento, entende ser a dependência de Paratibe "um verdadeiro barril de pólvora", no que deve estar com a razão em face da experiência que tem do assunto. Ora, quando se fala em barril de pólvora, está-se desejando ponderar ou avisar que aquilo está prestes a explodir a qualquer hora. Não é isto que quer a sociedade que vê com bons olhos a causa dos menores infratores, nem pretende a autoridade, que se diz responsável pela segurança e bem-estar daquela faixa de delinqüentes. Não é possível chegar-se ao extremo a que se chegou no presídio, sobretudo quando a causa mais próxima da última rebelião dos meninos seja uma agenda absolutamente razoável de reivindicações. Os infratores-mirins teriam pedido uma nova sala para visitas e o aumento de vagas num curso interno de computação. Outras coisas do gênero - coisas simples, ao menos na aparência - teriam fomentado mais ainda o rancor dos menores infratores em apreço. Mas, insistimos em dizer - o fato soberano que explica mais convincentemente as bulhas daquele presídio especial reside na superlotação carcerária. De fato, Paratibe foi disposto para receber o total de 120 menores, e abriga, hoje, mais do dobro, 294 indivíduos. Características de pocilga se terão atribuído a um ambiente feito, não, para reacender instintos negativos, todavia, o contrário,para readaptar mentes juvenis que tenham sofrido tropeços indesejáveis. Há quem sugira reescrever a vocação dos presídios pernambucanos, de tal modo que menores infratores não entrem em contato com a brutal realidade carcerária dos adultos. Tudo isto é certo, mas, sem espaço sequer para simplesmente alojar, como defender com possibilidades de êxito a regionalização de nossos presídios que, pelas circunstâncias, pode ser considerada um luxo? Regionalização, sim, separação entre delinqüentes juvenis e criminosos adultos, sim. Mas, primeiro, construam-se os espaços que faltam para o alojamento dos indivíduos. |
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