Recife, Segunda-Feira, 2 de Fevereiro de 1998

Desemprego: questão social grave

A subutilização da mão-de-obra agrava mais o quadro de trabalho do país

O resultado da pesquisa Desemprego em Pernambuco, feita pela empresa Datamétrica e divulgada ontem com exclusividade pelo DIÁRIO DE PERNAMBUCO, não surpreendeu as lideranças políticas, empresariais e economistas do estado. O levantamento apontou que 88% dos pernambucanos estão preocupados com o desemprego e 53% deles consideram-no como o principal problema. Na avaliação do prefeito do Recife, Roberto Magalhães, a questão é "grave", que atinge todo o mundo, e, por isso, aflinge tanto a sociedade. Como o prefeito, boa parte das pessoas ouvidas pelo DIÁRIO apontou como os principais responsáveis pelo desemprego os avanços tecnológicos e a globalização, que vêm reduzindo o número de vagas em todo o mundo. O governo do estado e a Fipe atribuíram também o agravamento do desempredo à política recessiva do governo federal.

O economista Maurício Romão disse que o grande problema, hoje, na questão do emprego, no Brasil, é a subutilização da mão-de-obra, que atinge entre 40% e 50% do país. "A questão está na informalidade. Muita gente trabalha ganhando um valor bem inferior ao de mercado. Não tem como escapar disso sem qualificação dos trabalhadores disponíveis", observou o economista.

Segundo Romão, a crise de desemprego não é uma questão local ou mesmo nacional. Virou uma questão internacional. Ele cita como exemplo a Espanha, que detém um índice de 40% de desempregados. "A solução é mais qualitativa que quantitativa. O mercado internacional não tem condições de absorver a mão-de-obra disponível. Então, que pelo menos remunere melhor", destacou Romão.

Para o presidente da Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiepe), Armando Monteiro Neto, o peso político é primordial na questão. Isso porque, segundo ele, a política recessiva, marcada pelas altas taxas de juros, contribue para o não investimento dos empresários e na conseqüente redução de vagas ofertadas ao mercado. "É preciso um estado ágil, com uma política de incentivos fiscais e infra-estrutura básica para a captação de investimentos e geração de empregos", apontou ele.

Mesmo detendo o título de setor que emprega mais, o comércio já não consegue absorver a mão-de-obra disponível, conforme o presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), Fernando Guerra, que reponsabilizou também a globalização pelo desemprego.

O secretário de Planejamento, João Recena, disse que o governo do estado já vem acompanhando, há dois anos, pesquisas de opinião pública que revelam a preocupação das pessoas com o desemprego. "Em segundo lugar, empatados aparecem a segurança e saúde, dois problemas que, antes, lideravam o ranking", apontou Recena. Ele disse que esta inversão se dá em função da política recessiva do governo federal, que segura o crescimento econômico e reflete na geração de empregos.


Pesquisa revela as distorções

Fale conosco diario@dpnet.com.br

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA INTERIOR MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER