(Atualizado no dia 15/1/1998)

Marauder, a custom da Suzuki quase perfeita

Moto fica devendo ao consumidor preço menor que a concorrente Shadow

Bancos individuais em desnível, guidão largo e alto, farol redondo, um enorme motor dois cilindros em V e cromados em profusão. A receita de estilo empregada na Suzuki VZ800 Marauder é a tradicional dos modelos custom. Mas, o modelo que, há alguns meses vem sendo vendido no Brasil, leva desvantagem em preço: custa US$ 14.250 (cerca de R$ 16.387,00), quase R$ 6 mil mais caro que a nacionalizada Honda VT 600 Shadow que custa cerca de R$ 10,5 mil .

Nesta avaliação, no entanto, a Marauder mostrou que tem muitas qualidades, a começar pelo design. Graças ao tanque mais largo e baixo (para 13 litros), ela ficou com visual mais robusto que o da linha Intruder, outra custom da Suzuki. No trânsito, não há quem não olhe e, quando está estacionada, inevitável que curiosos se amontoem em volta dela.

Nesta custom, até o descanso lateral e o protetor de corrente são cromados. A pintura bicolor (uma bela combinação de vermelho e prata na unidade testada) é impecável. O conjunto é completado pelas rodas em liga leve. O nome combina bem com o ar de certa rebeldia da moto: Marauder, em inglês, significa saqueador. Além da Marauder, a Suzuki também conta com a Bandit - do francês bandido.

Para pôr o V2 de 805 cc em funcionamento é preciso acionar a embreagem, medida de segurança que impede a ignição se alguma marcha estiver engrenada. O motor emite ruído agradável pelos dois escapamentos, com saídas pelo lado direito. Tem comando simples, quatro válvulas por cilindro e refrigeração líquida. Gera 50 cavalos de potência e torque de 6,65 mkgf a 5 mil rpm. O contato de ignição está colocado do lado direito, abaixo do tanque e o afogador fica no lado oposto, ambos longe da visão do motociclista, posições nada práticas. Em contrapartida, a posição ao guidão é confortável e relaxada.

O banco largo possibilita longas viagens sem muito cansaço. As pedaleiras avançadas fazem com que as pernas fiquem para a frente e reforçam o estilo easy rider. O único instrumento do painel é o velocímetro, com escala até 180 km/h. De resto, apenas luzes de advertência. O câmbio de cinco marchas tem engates macios e a transmissão secundária é feita por corrente, no lugar do eixo cardã que costuma equipar motor desse segmento.

Como é comum nesse tipo de moto, sem carenagens, o condutor tem de vencer a resistência do ar literalmente no peito. Isso incomoda em altas velocidades. Outro incoveniente é que motos customs de alta e média cilindradas normalmente são pesadas. No caso da Marauder, são 207 quilos, sem contar combustível, bagagem, etc. O lugar reservado ao garupa é bem estreito e, provavelmente, mais cansativo em viagens.

Sobre pisos irregulares, a Marauder tem rodar um pouco áspero e a frente saltita um pouco em curvas com pavimentação enrugada. A suspensão dianteira é invertida e a traseira tem amortecedores duplos. O freio dianteiro, a disco, funciona bem, mas o traseiro, a tambor, não mostrou muita eficiência.

Qualidades não faltam à Suzuki Marauder, mas ela chega para disputar mercado num segmento meio inflacionado de produtos e com a incômoda presença da Honda Shadow 600, um pouco menor, porém, muito mais barata. A Suzuki tem motor 800 e custa US$ 14.250 (R$ 16,8 mil); a Honda, com motor 600, sai por R$ 10.459,00. É verdade que há diferenças mecânicas, estilísticas e até de concepção entre ambas, mas elas são mais sutis que os 60% que separam os preços de uma e outra.

Assim, enquadrando a Marauder na classe das customs, ela vai concorrer direta ou indiretamente até com a própria Intruder 800, também produzida pela Suzuki e com os mesmos US$ 14.250 de preço sugerido. Na linha Kawasaki, a concorrência é com a Vulcan 800 (US$ 16,5 mil, ou R$ 19,5 mil). Já com relação à norte-americana Harley-Davidson - musa inspiradora de todas essas orientais -, a Marauder briga com a mais barata da linha, a 883 STD, que custa US$ 14,9 mil (R$ 17,6 mil).


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