Recife, Terça-Feira, 6 de Janeiro de 1998

Tapajós pediu a amigo para escapar da morte

RIO - O empresário Eduardo Tapajós, de 68 anos, dono do Hotel Glória, morreu segundos depois de implorar por ajuda ao amigo Márcio Argiata, de 27 anos. Ele afundou preso ao cinto de segurança do helicóptero e, num último gesto de desespero, tentou abraçar Argiata na esperança de sobreviver ao acidente, no domingo à tarde, em Angra dos Reis, litoral sul do Rio de Janeiro. "Ele dizia: me ajuda, me ajuda, o cinto, o cinto e eu mergulhava mas não encontrava a fivela do cinto", contou Argiata, por telefone, da casa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello, no Rio. Tapajós era genro do empresário pernambucanos João Santos.

Argiata namora a filha do ministro, Letícia Mello, de 22 anos. Ela foi salva por Argiata, que projetou seu corpo sobre o dela para protegê-la do choque do helicóptero na água e a livrou do cinto de segurança. Assim que o helicóptero caiu, Argiata retirou Letícia dos destroços do helicóptero e voltou para tentar resgatar Eduardo Tapajós e sua mulher Maria Clara Tapajós, de 53 anos. O rapaz viu o dono do Hotel Glória com a água na altura do pescoço e um pequeno sangramento no nariz. Enquanto Tapajós pedia socorro, Argiata mergulhava para soltar o cinto que impedia o empresário de emergir.

Na primeira vez, Argiata correu as mãos pela barriga de Tapajós e percebeu que o cinto estava sem a fivela. Ao voltar à tona para respirar, notou que o empresário engolia água, mas movia a cabeça com movimentos bruscos em busca de oxigênio. Argiata viu o piloto Vicente Paulo Cardoso a poucos metros da aeronave, boiando apoiado a um assento do helicóptero, e Maria Clara atrás do marido, submersa e aparentemente morta. "Mergulhei de novo, abri o cinto e a puxei para cima", lembrou.

Ao recuperar o fôlego e receber outro banco flutuante do helicóptero, Maria Clara pediu, aos gritos, que Argiata salvasse seu marido. No terceiro mergulho, o rapaz tirou a roupa de Tapajós, numa tentativa de puxar o empresário pelas pernas. O cinto apertado impediu que Tapajós saísse do lugar. "Ele me abraçou e eu não pude fazer mais nada", contou.


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