Recife, Quinta-Feira, 31 de Julho de 1997

A cronologia da guerra entre famílias

Da Sucursal de Petrolina

FLORESTA - De acordo com os moradores desta cidade do Sertão do São Francisco, o saldo do conflito entre as famílias Ferraz e Novaes, apresenta dez mortes para cada lado. O assassinato do prefeito Francisco Ferraz Novaes, em abril de 1992, foi o estopim da guerra. O inquérito policial instaurado sobre o crime, aponta as participações de Deneilson Bezerra Novaes, Josias da Silva, Erasmo Bastos Gonçalves e Odair José Nogueira de Souza. O processo ainda corre na justiça, sem julgamento.

No mesmo ano, foram mortos Caubi da Silva e o soldado da PM, Francisco Valgueiro Diniz, numa ação de vingança pelo assassinato, um ano antes, de Dênis Leonardo Ferraz. As vítimas eram ligadas politicamente aos Novaes. A primeira,com o sobrenome Novaes foi o estudante Cláudio Cavalcanti Novaes (filho do ex-prefeito Luiz Novaes), emboscado, em julho de 1993, na Fazenda Santa Paula. O inquérito apontou seis nomes, entre eles, três Ferraz, mas o processo ainda corre na Justiça.

Em abril do mesmo ano foram mortos Francisco José Ferraz Novaes (filho do prefeito assassinato), Ricardo José dos Santos e Henrique Ferraz de Vasconcelos. Entre os apontados no inquérito estavam Lúcio Flávio Menezes Novaes (morto no dia 5 deste mês), que alegou legítima defesa. O processo foi desaforado para o Recife e ia ser julgado este ano.

Também em 1993,o pior ano do conflito, contabilizando oito assassinatos, foram mortos, Ubiratan Menezes Novaes (irmão de Lúcio Flávio) e Evanir Cleonice da Silva. Em agosto, morreram os irmãos Haroldo Ferraz Modesto e Sérgio Romero Ferraz Modesto. Em janeiro de 1995 assassinaram George Washington Ferraz Nunes (irmão de Dênis Leonardo Ferraz) e Cleonice Ferraz de Sá. Em julho do mesmo ano, foi morto pela PM, na Fazenda Misericórdia, Austragésilo de Menezes Novaes. Nenhum acusado por essas mortes foi julgado.

O ano de 1996 foi o mais tranqüilo. Muitos dos envolvidos já haviam deixado a cidade. Os líderes das duas famílias aceitaram um acordo de pacificação proposto pelo promotor Alexandre Bezerra e o juiz Nilson Galindo. Em troca da pacificação, cada envolvido teve suspenso o mandado de prisão e passou a responder o processo em liberdade.

Mas a calma não duraria muito em Floresta. No dia 5 deste mês, o comerciante Lúcio Flávio Menezes Novaes foi morto na frente de casa, no centro da cidade, por um grupo armado, e a irmão dele, Ana Alice Novaes, de 16 anos, saiu gravemente ferida. Há pouco mais de uma semana, no Recife, mataram o técnico em informática Rilton Ferraz. Danilo Bezerra Novaes foi a última vítima.

MAPA BRASIL ECONOMIA ESPORTES HISTÓRIA HUMOR
INFORMÁTICA MUNDO VEÍCULOS VIAGEM VIDA URBANA VIVER