|
|
Otávio Moraes diz
que hoje é preciso
saber construir
relacionamentos
no trabalho. Imagem: NANDO CHIAPPETTA. DP/D.A PRESS |
Suportar pressão, ouvir críticas, dar feedback à equipe, lidar com as diferenças. Competências como essas estão sendo cada vez mais necessárias no ambiente de trabalho, num mundo competitivo e plural. Para exercer um cargo de liderança, a gestão de pessoas é ainda mais importante, dadas as novas responsabilidades assumidas e os conflitos que podem surgir. Mas como o que é a inteligência emocional e como desenvolvê-la?
Segundo a psicóloga da Consenso RH, Ceila Bastos, “inteligência emocional é a maior ou menor capacidade do ser humano de lidar com suas emoções, de conviver com as diferenças dos outros, a forma como suporta as pressões e cobranças. É a habilidade de se adaptar ao meio em que vive”. Portanto, ela é fruto da auto-reflexão e da sua atitude perante amigos, familiares ou desconhecidos. Daí sua importância no trabalho: quem lida com o público ou é líder de equipe está frequentemente exposto a diferenças, podendo surgir conflitos que entravam o alcance de metas.
Coaching
“Mesmo indivíduos com alta capacidade empreendedora, se não têm a capacidade de considerar as emoções e os sentimentos das pessoas, não vão estabelecer um ambiente equilibrado e harmonioso”, adverte Ceila. Um trabalho de coaching colabora no desenvolvimento dessa competência, além de exercícios cotidianos, como se colocar no lugar da pessoa antes de criticá-la ou demonstrar real interesse no que as pessoas à sua volta têm a dizer.
Para o presidente da Cedepe Business School, Otávio Moraes, essa discussão sobre inteligência emocional está em voga devido à mudança nas relações laborais. “Antigamente, a falta dela não dava tanto prejuízo, pois a regra era ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’. Quem chiava, caía fora e tinha mais dez na fila para substituir. Hoje, isso mudou e as pessoas precisam construir relacionamentos.” A própria substituição, afirma Moraes, está bem mais difícil, visto que os cargos pedem cada vez mais qualificação, mas a oferta não tem acompanhado.
A consciência do profissional de que ele pode ser valioso à instituição é outro ponto destacado por Moraes. Se os funcionários vendiam somente a força de trabalho às empresas, atualmente querem expressar suas opiniões, participar mais, inovar. “Ele pode chegar a pedir demissão. Afinal, se essa empresa não me escuta, tem outras que me querem”, diz o professor. Cabe ao líder organizar a “democracia”, levando em conta as sugestões e críticas no processo decisório. “Mas a decisão é tomada pelo líder, não pela equipe. O líder que delega a tomada de decisão está abrindo mão de sua responsabilidade e, com o tempo, se torna fraco aos olhos dos outros”, alerta Moraes.