Diario de Pernambuco



Festivais à beira do caminho
André Dib andredib.pe@dabr.com.br
Recife, sexta-feira, 4 de maio de 2012
Tropeços do Cine PE se somam aos indícios de crise de eventos do mesmo porte e turvam futuro do segmento
Compartilhar no Facebook  Compartilhar no Twitter Enviar por e-mail Comente a matéria Imprimir


No "Maracanã dos festivais", média de público ficou abaixo do esperado. Imagem: DANIELA NADER/DIVULGAÇÃO
Junto com a lista dos premiados, em cerimônia realizada na noite de quarta no Teatro Guararapes, o Cine PE divulgou um balanço de sua 16ª edição. Ao longo de uma semana, 25 mil pessoas teriam prestigiado as mostras competitivas e paralelas. Uma média de 2,2 mil pessoas por dia. Os números oficiais quase alcançam a previsão de 30 mil pessoas, esboçada no lançamento do festival, no começo de abril. No entanto, comparado com anos anteriores, a impressão é a de que a quantidade de espectadores foi mais irregular.

Com orçamento em torno de R$ 2 milhões, o Cine PE é colocado pelo organizador, Afredo Bertini, como um dos principais em importância e o maior do país em público. Mas o “Maracanã dos festivais”, como tem sido chamado, demonstrou despreparo em fazer o mínimo esperado de um festival de cinema: exibir filmes. Dos sete dias de programação, quatro apresentaram graves problemas de projeção. Longe de desmerecer o valor artístico das obras ou a autoridade do júri, premiar À beira do caminho como melhor filme e Flávio Frederico, de Boca, como melhor diretor, pareceu uma boa forma de fazer as pazes com os que mais sofreram com isso.

No ano passado, Bertini anunciou a criação da Frente dos Festivais, espécie de G-5 dos grandes eventos, do qual fazem parte Pernambuco, Ceará, Gramado, Brasília e Rio de Janeiro. São grandes festivais, com grandes orçamentos.

Entre eles, não só o Cine PE está com as bases comprometidas. Exceto pelo Festival do Rio e pela Mostra de São Paulo, que parecem ser inabaláveis, 2012 vem sendo marcado por mudanças no panorama dos festivais. Cotado para entrar no grupo dos grandes, o festival de Paulínia foi suspenso, assim como o polo cinematográfico, construído ao custo de R$ 490 milhões, está praticamente parado.

Embargado pelo Ministério Público por problemas na prestação de contas, Gramado iria pelo mesmo caminho, não fosse uma manobra recente que fez mudar a empresa gestora. De forma que parte do orçamento deste ano será destinado a pagar as contas do ano passado. A renovação administrativa se reflete na curadoria. Saem José Carlos Avellar e Sérgio Sanz, entram Rubens Ewald Filho, José Wilker e o jornalista gaúcho Marcos Santuário. O preço para as sessões diminuirá de polêmicos R$ 90 para R$ 10. A 40ª edição do festival será realizada de 10 a 18 de agosto.

Em Brasília, a situação também não é das melhores. Desde 2010 o festival vem passando por mudanças conceituais e estruturais. O que podemos esperar deste ano é que o evento continua no controle de Nilson Rodrigues, que no ano passado quebrou o critério do ineditismo (e com a sua dimensão nacional) e renovou 100% da equipe. Sua 45ª edição será entre 17 e 24 de setembro.

A frente da qual os festivais fazem parte seria lançada oficialmente na terça-feira passada, mas o evento foi cancelado sem explicações. Por outro lado, durante o Cine PE, foi lançada a programação de um novo festival, o Olhar de Cinema, sediado em Curitiba. Como ele, há outros nascendo e se fortalecendo, com programação criteriosa e orçamentos que não chegam à casa do milhão. São dezenas, que se destacam entre as mais de duas centenas de eventos no país. No atual contexto, cabe perguntar se o cinema brasileiro precisa dos grandes, tanto quanto os grandes do cinema brasileiro.

Saiba mais

Os vencedores do 16º Cine PE

Mostra Competitiva de Longas-Metragens


Filme: À beira do caminho, de Breno Silveira
Diretor: Flávio Frederico (Boca)
Ator: João Miguel (À beira do caminho)
Atriz: Hermila Guedes (Boca)
Ator coadjuvante: Vinícius Nascimento (À beira do caminho)
Atriz coadjuvante: Divina Brandão (Paraísos artificiais)
Melhor Roteiro: Patrícia Andrade (À beira do caminho)
Melhor Fotografia: Lula Carvalho (Paraísos Artificiais)
Melhor Edição de Som: Alessandro Laroca, Eduardo Virmond Lima e Armando Torres Jr. (Paraísos Artificiais)
Montagem: Quito Ribeiro (Paraísos artificiais)
Trilha sonora: BiD (Boca)
Direção de arte: Alberto Grimaldi (Boca)
Prêmio Especial do Júri Oficial: ao compositor Jorge Mautner
Prêmio especial da crítica: Estradeiros, de Renata Pinheiro e Sérgio Oliveira
Prêmio Gilberto Freyre: À beira do caminho, de Breno Silveira
Prêmio do júri popular: À beira do caminho, de Breno Silveira

Mostra Competitiva de Curtas-Metragens


Filme: Até a vista, de Jorge Furtado
Diretor: Thais Fujinaga (L)
Roteiro: Jorge Furtado (Até a vista)
Fotografia: André Luiz de Luiz (L)
Montagem: Bruno Bini (Depois da queda)
Edição de Som: Pablo Lamar (Dia estrelado)
Trilha: Everton Rodrigues (Até a vista)
Diretor de arte: Amanda
Ferreira (L)
Ator: Felipe de Paula (Até a vista)
Atriz: Sofia Ferreira (L)
Prêmio Especial do Júri: A fábrica, de Aly Muritiba
Prêmio Especial da Crítica: Isso não é o fim, de João Gabriel
Prêmio Especial do Júri Popular: Depois da queda, de Bruno Bini
Prêmio Aquisição Canal Brasil: Di Melo – O imorrível, de Alan Oliveira e Rubens Pássaro

Mostra Pernambuco


Melhor Filme: Poeta urbano, de Antônio Carrilho

Menção honrosa para o ator Sérgio Menezes (Koster) e ao diretor de arte Dantas Suassuna (Koster)

Menção honrosa para Sandra Possani, atriz do curta Canção para minha irmã, de Pedro Severien






Galeria de imagens


Edição do dia
viver - Clique na imagem para vê-la maior
Anteriores
Selecione a data do Diario que você deseja visualizar