Diario de Pernambuco



Diario urbano
Luce PEreira
Recife, sexta-feira, 4 de maio de 2012
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Tudo na estaca zero

Para os hoteleiros de Itamaracá, virar mais uma folhinha do calendário tornou-se tarefa das mais frustrantes. Seria em março, a transferência dos presidiários da ilha. Não aconteceu. O cumprimento da promessa (pelo governo do estado), então, pulou para julho. Outra vez, imagina-se, o sonho vá ser empurrado para a frente, porque o Presídio de Itaquitinga, mal abriu as portas, já está com a capacidade para lá de esgotada – mais de 3,5 mil detentos. Os hoteleiros, maiores interessados em ver essa clientela mudar de endereço, desconfiam que o projeto terá que aguardar a conclusão do presídio de Araçoiaba. O problema é que com um índice de reincidência acima de 60%, os ressocializados (que denominação inadequada) podem também ajudar a lotar essa próxima unidade antes mesmo de os presos de Itamaracá fazerem as malas. O mal-estar dos donos de hotéis tem origem no fato de o governador Eduardo Campos haver praticamente jurado de pés juntos, segundo eles, que retiraria os presídios de cena, como aconteceu em Fernando de Noronha. Mesmo o secretário de Turismo do Estado, Alberto Feitosa, que chegou a pontuar para a coluna (com uma dose extra de entusiasmo) cada um dos projetos destinados a transformar o Litoral Norte numa espécie de novo eldorado do Turismo em Pernambuco, não tocou mais no assunto. E a rotina de baixa ocupação dos hotéis caminha ao sabor do abandono que não poupa sequer os arredores. Se não há nem sinal de reabertura das portas do Forte Orange, maior relíquia histórica do lugar, o turista que chega à vizinha Vila Velha se depara com monumentos em ruínas, como a casa onde morou o padre Tenório, um dos líderes da Revolução Pernambucana de 1817. E a vida segue: sem respeito à memória, sem turistas e até mesmo sem os milagres de uma santa poderosa chamada Copa do Mundo de 2014.

Nego, não devo


Em 1991, a família Paiva adquiriu um jazigo no Cemitério Parque das Flores, onde se anotam dados importantes da relação proprietário/empresa em um precário livro de registro. O advento da informática ainda não deu os ares da graça, o que ajudou a acentuar o sentimento de perda experimentado por parentes, mês passado, quando foram providenciar o sepultamento da matriarca.

Um erro e uma falta


A atendente do cemitério, ao consultar o tal livro de registro, com anotações feitas a lápis grafite, informou que, para o sepultamento acontecer, a família teria que pagar uma parcela da compra referente a 2005 (sendo que a dívida havia terminado de ser quitada em 1992). Além desse erro, incorreu em outro – falta de ética. Momento complicado para cobrar um débito que nem existia.

De mãos atadas


Entre as inúmeras faltas ressaltadas por usuários do SUS, o Sindicato dos Médicos, recentemente, faz coro a uma –  manutenção em aparelhos de colonoscopia. Sem os reparos necessários, os equipamentos deixam a ver navios pacientes candidatos a cirurgias nos hospitais Agamenon Magalhães, Oswaldo Cruz e Procape. A resposta de diretores dessas unidades é de que estão de “mãos atadas”, porque dependem de providências do governo.

Desmantelo


A área urbana de Vitória de Santo Antão é um desmantelo só, reforçado pela presença de animais passeando entre automóveis. A foto foi feita no cruzamento das ruas Capitão Mateus Ricardo com Eurico Valois, bem perto do centro comercial.

O dom de trazer à luz


Parteiras nunca saíram de moda, porque promovem a saúde da mãe e do filho. Além de ressaltar essa importância, uma campanha do Grupo Curumim, para comemorar o dia delas, amanhã, vai pedir o reconhecimento do parto domiciliar assistido pelas profissionais no SUS e que os saberes e práticas nascidos dessas pessoas virem patrimônio imaterial brasileiro. O recado estará em três VTs e spots.


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