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Áurea, que mora em casa próxima, sentiu cheiro forte. Imagem: ANNACLARICE ALMEIDA/DP/D.A PRESS |
A terceira morte provocada pelos suspeitos de esquartejamentos em série e canibalismo está confirmada. Os ossos encontrados pela polícia na residência de Rio Doce, Olinda, onde o trio viveu, são mesmo humanos. A comprovação veio ontem, por exames no IML. Apenas dois fragmentos encontrados são de animais. Os dez ossos de dedos, punhos e clavícula, foram encaminhados ao Instituto de Criminalística (IC) para exame de DNA. O objetivo é averiguar a versão dos suspeitos, segundo a qual os ossos são de Jéssica Camila da Silva Pereira, 17, assassinada em 2008. Ela seria mãe da criança de cinco anos que vinha sendo criada pelo trio em Garanhuns, onde os suspeitos foram presos. Material genético será colhido do pai da vítima, Emanuel Araújo, 52, para confirmar a informação.
Segundo a gestora do IML Joyse Breenzinckr, não foi possível identificar se os ossos humanos são de uma única pessoa. Um dos motivos é o avançado estado de decomposição. A vítima teria sido executada há quatro anos. “Mesmo com o exame de DNA, também não sabemos se vamos conseguir descobrir se os ossos são de Jéssica”. O material deve ser encaminhado nesta semana a São Paulo. O resultado será concluído em 30 dias.
A polícia tenta identificar outros cadáveres. A casa onde foram encontrados os ossos pode ser vistoriada novamente. Outra, na Rua Projetada, que também foi habitada pelos suspeitos, está na mira. A dona de casa Áurea Maria da Silva, 61, que reside no imóvel, sentiu um cheiro forte em uma parede. Uma mancha, supostamente de sangue, também chama a atenção. Ela tapou a parede. “Não vou ficar surpresa se a polícia encontrar um corpo aqui”, contou Áurea, que pretende se mudar. Todos os locais por onde o trio passou nos últimos anos serão inspecionados.
Após uma semana no Grupo de Operações Especiais (GOE), no Recife, para colaborar com a investigação, Jorge Beltrão voltou para o Presídio Desembargador Augusto Duque, em Pesqueira. Isabel Pires e Bruna Silva seguiram para a Colônia Penal Feminina de Buíque.
Paraíba
O delegado Elias Rodrigues esteve ontem no Recife para receber uma cópia do inquérito. Ele investiga se o sítio em que o trio viveu, na cidade do Conde, a 19 km de João Pessoa, abriga corpos. A área tem vários buracos. Até ontem, dez testemunhas haviam sido ouvidas. Todas destacaram o comportamento solitário do trio.