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Pedro Eurico (C) disse que ação vai gerar precedende na jurisprudência brasileira. Imagem: TERCIO AMARAL/ESP DP/D.A PRESS |
Além dos processos individuais, como o caso da morte do jornalista Édson Régis, a Comissão da Verdade, instituída pela presidente Dilma Rousseff, no final do ano passado e que começou a ter seus membros nomeados nesta semana, deve enfrentar oposição. Alguns grupos organizados, como o Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, contestam a organização da Comissão. Segundo eles, deveriam existir uma “integração” da organização com o poder judiciário. Em outras palavras, isto significa que, caso comprovada uma tortura ou perseguição, seria realizado um “pré” ou um julgamento antecipado (antes dos fóruns).
Mas a dor de cabeça do governo federal não deve termina por aí. As Forças Armadas mantêm uma postura nostálgica da ditadura militar. Em Pernambuco, por exemplo, 7º Grupo de Artilharia de Campanha, em Olinda, trata o golpe militar de 1964 como “A revolução democrática” em seu site oficial.
“É triste constatar que as Forças Armadas brasileiras ainda cultivam este tipo de cultura política e mais triste ainda observar que os governos civis conciliam com estas tradições deletérias. Comparando com nossos vizinhos da América do Sul, o Brasil está mesmo na ‘vanguarda do atraso’ em relação a estas questões”, critica o professor de história contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF) Daniel Aarão Reis.
A secretária de Direitos Humanos da Prefeitura do Recife, Amparo Araújo, analisa o cenário com reserva. Para ela, em um país democrático existe diversos tipos de pensamento e que a opinião das Forças Armadas é um deles. “Pior fosse na ditadura. É uma cultura que não se muda tão fácil”, comenta.