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Moradores de Toulouse homenageiam vítimas. Imagem: ERIC CABANIS/AFP |
Brasília - Os sete assassinatos cometidos pelo jihadista franco-argelino Mohamed Merah, morto pela polícia francesa em Toulose, na madrugada de quinta-feira, reavivaram a discussão sobre a eficiência da vigilância antiterrorista no país. Enquanto o governo se esforçava ontem para responder a questionamentos sobre uma possível falha dos serviços de inteligência, continuavam as investigações em busca de novos elementos e possíveis cúmplices do extremista.
O premiê François Fillon saiu em defesa dos órgãos de segurança e afirmou que não havia “nenhum elemento que permitisse deter Mohamed Merah” antes que ele cometesse os crimes, porque “a França é um Estado de direito”. Segundo as autoridades, Merah estava sob vigilância desde que visitou o Afeganistão, em 2010, mas seu cotidiano era considerado comum para um francês de 23 anos.
Merah, entretanto, havia sido condenado várias vezes por crimes menores e frequentava um grupo salafista, segmento mais extremista do islã sunita. Nas discussões que teve com a polícia enquanto estava entrincheirado em seu apartamento, o jovem se disse ligado à rede Al-Qaeda e afirmou querer “vingar as crianças palestinas” e castigar a França por manter tropas no Afeganistão e proibir o uso do véu islâmico em público. No intervalo de nove dias, ele matou três militares, um professor e três crianças – os quatro últimos em uma escola judaica de Toulouse, no terceiro ataque da série.
Os investigadores de Toulouse tentavam ainda rastrear possíveis cúmplices. Merah declarava pouca renda, mas tinha vários endereços, alugava carros e possuía um arsenal. Abdelkader, seu irmão mais velho, foi detido na terça-feira com a companheira e a mãe e disse desconhecer os projetos radicais do irmão. Testemunhas disseram à polícia, no entanto, que ele estava mais engajado no extremismo do que o próprio Merah.
A autópsia do corpo indica que Merah recebeu ao menos 20 tiros, a maioria no braço e pernas. No entanto, dois foram mortais: “Um dos tiros atingiu o lado esquerdo da testa. O outro atravessou o abdomen”, disse uma fonte judicial.